
Dois jovens assaltantaram e mataram um cidadão no último domingo, no Centro do Rio, para roubar-lhe a jaqueta e o tênis.
Paradoxalmente, a vítima era um educador social que trabalhava em favor da cidadania para as populações marginalizadas.
Quantos mais inocentes precisarão morrer para que, ao invés dos factóides, tipo Choques de Ordem midiáticos, tenhamos ações sistemáticas de combate ao tráfico, conscientemente planejadas, de forma a minimizar efeitos perversos, como os jovens desempregados do tráfico, que hoje espalham terror nesta cidade?
Como não prever que essas pessoas de sonhos natimortos, com visão tão estreita de oportunidades, viriam para o asfalto recuperar o prejuízo e matar por um tênis ou quaisquer outros acessórios que os redesenhem à imagem e semelhança dos cidadãos "de respeito".
Sua auto-estima, esvaziada pela ausência absoluta de políticas públicas que lhes garantam educação, moradia, trabalho, dignidade, precisa das grifes para existir minimamente. Afinal, estão plugados na cyber rede, têm "netcats" explorados pelas milícias nas suas comunidades, portanto sabem o que é "in" e o que é "out" entre os bacanas.
Quem nada tem, não tem nada a perder, matar ou morrer, tanto faz...
Hoje não dá para "blogar" com poesia, a realidade me roubou o espaço das amenidades.
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